Dizem que é mais fácil às mulheres, encontrarem um amor!
Não porque sabem procurar melhor, mas porque quando amam conseguem ver o que ainda não existe!
É mais ou menos como os homens que olham para uma casa em ruínas e conseguem "vê-la" terminada!
Pois eu tenho muita dificuldade em ver para além do que vejo na realidade!
Penso que tenho tido azar, de ainda não ter encontrado a mulher certa!
Há dias em que acordo com a sensação de que falta alguma coisa. Não é uma falta concreta, daquelas que se resolvem com uma compra, uma viagem ou uma conversa rápida. É uma ausência mais silenciosa, quase invisível, que se instala entre os pensamentos e me acompanha ao longo do dia!
Durante muito tempo tentei ignorar esta sensação. Convenci-me de que era apenas uma fase, uma expectativa exagerada ou uma ideia romântica alimentada por filmes, músicas e histórias que ouvi ao longo da vida. Mas, à medida que os anos passaram, percebi que essa sensação tinha um nome simples: o amor que quero ainda não apareceu!
Já conheci pessoas especiais. Já vivi paixões intensas, algumas tão fortes que pareciam destinadas a durar para sempre. Já senti o coração acelerar ao receber uma mensagem, já perdi o sono a pensar em alguém e já imaginei futuros inteiros ao lado de uma pessoa que, mais tarde, seguiu outro caminho!
Tudo isso faz parte da minha história. Contudo, apesar dessas experiências, continuo a acreditar que o amor que realmente procuro ainda não cruzou o meu caminho!
Durante muito tempo pensei que amar fosse encontrar alguém que preenchesse os espaços vazios dentro de mim. Acreditava que uma relação teria a capacidade de resolver inseguranças, afastar medos e dar sentido a tudo aquilo que parecia incompleto. Com o tempo, percebi que estava errado. Nenhuma pessoa tem a obrigação de carregar o peso das nossas faltas.
Talvez tenha sido essa descoberta que mudou a forma como passei a olhar para os relacionamentos. Já não procuro alguém para me completar. Procuro alguém para partilhar! Alguém que tenha os seus próprios sonhos, as suas próprias cicatrizes e a sua própria identidade. Alguém que não precise de mim para existir, mas que escolha ficar porque encontra valor na minha presença. E talvez seja precisamente por procurar algo assim que ainda continuo sozinho!
Vivemos numa época estranha. Nunca foi tão fácil conhecer pessoas e, ao mesmo tempo, nunca pareceu tão difícil criar ligações profundas. As redes sociais aproximam rostos, mas nem sempre aproximam almas. As conversas começam rapidamente e terminam com a mesma velocidade. Muitas vezes tenho a impressão de que as pessoas estão sempre à espera de algo melhor, como se cada encontro fosse apenas uma etapa provisória até surgir uma opção mais interessante!
Nesse cenário, torna-se complicado encontrar alguém disposto a construir em vez de apenas experimentar.
Não me considero um homem perfeito. Tenho defeitos que conheço bem. Sou teimoso em algumas situações, excessivamente reflexivo em outras. Por vezes guardo sentimentos durante demasiado tempo antes de os expressar. Também carrego inseguranças que raramente mostro aos outros. Mas aprendi a aceitar essas imperfeições. Fazem parte de mim. E talvez seja por isso que desejo encontrar alguém que também aceite as suas próprias fragilidades!
Não procuro perfeição. Procuro verdade.
Não quero mulheres falsas, falsificadas, plastificadas ou tatuadas!
Quero uma mulher natural, que não tenha tido a necessidade de seguir modas, infantilidades ou corrigir-se fisicamente!
A última que conheci, tinha borboletas que iam desde os braços ao clitóris!
Este tipo de mulher na minha opinião perdeu-se no caminho!
Às vezes observo casais na rua. Vejo-os caminhar lado a lado, partilhar risos, discutir pequenas coisas ou simplesmente permanecer em silêncio enquanto seguem juntos. Nessas ocasiões, não sinto inveja. Sinto curiosidade. Pergunto-me como chegaram até ali!
Também já me questionei se estarei a idealizar demasiado o amor. É uma pergunta legítima. Talvez as minhas expectativas sejam elevadas. Talvez espere encontrar algo que existe apenas na minha imaginação. No entanto, sempre que penso nisso, chego à mesma conclusão: não procuro um conto de fadas. Não espero perfeição constante, felicidade ininterrupta ou ausência de conflitos. O que procuro é autenticidade. E a autenticidade não é uma fantasia impossível. É uma escolha diária!
O amor que quero ainda não apareceu porque talvez também esteja à procura de mim. Gosto de pensar nessa possibilidade. Enquanto eu sigo o meu caminho, vivendo experiências, aprendendo lições e amadurecendo, talvez exista algures uma mulher a fazer exatamente o mesmo!
Curiosamente, já experimentei mais solidão dentro de relações erradas do que fora delas.
Por isso deixei de ter medo da minha própria companhia. Aprendi a desfrutar de momentos simples. Gosto de caminhar sem destino definido, ouvir música enquanto conduzo, ler um livro num fim de tarde tranquilo ou tomar café observando o movimento das pessoas. São hábitos aparentemente banais, mas ensinaram-me algo importante: a felicidade não pode depender exclusivamente da presença de outra pessoa!
Talvez seja precisamente essa independência emocional que me impede de aceitar qualquer relacionamento apenas para evitar a solidão.
Quero um amor que sobreviva à fase das primeiras impressões. Um amor que continue interessante quando todas as máscaras caírem!
O amor que quero ainda não apareceu porque não procuro apenas companhia. Procuro presença. Não procuro alguém para preencher tempo livre. Procuro alguém com quem criar memórias.
Mas se há algo que aprendi, é que o amor não pode ser perseguido com desespero. Quanto mais tentamos forçar determinados acontecimentos, mais nos afastamos da serenidade necessária para os reconhecer quando finalmente surgem.
Este amor não vai aparecer por magia, mas sim porque eu estou atento ao amor!
