Olho no espelho e não reconheço, a pessoa que sou!
Tudo me diz, que ela(e) é a pessoa errada, para mim!
Tudo me diz, que ela(e) é a pessoa, que me afunda!
Tudo me diz, que ela(e) é a pessoa, que não deixou a minha vida ser, o que eu imaginava!
Tudo o que sou, é pouco comparado com o que queria ser!
Tudo o que tenho, é muito pouco comparado com o que eu queria construir!
Já não me lembro, como era a minha vida sem ela(e), na minha vida!
A minha juventude, fixou-se nela(e) e agora passado trinta anos ainda aqui, estou ao lado dela(e)!
Não casei, não tive filhos, não comprei casa, não emigrei e não vivi a vida com a liberdade
que merecia!
Com ela(e), não sou livre pois não posso ser quem sou!
Com ela(e), tenho de ser quem ela(e) quer que eu seja!
Toda a minha vida, dei comigo a ser criticado por tudo e por nada!
Não ouvi elogios, não senti incentivos e acima de tudo não fui valorizada(o)!
Hoje, pergunto-me o que me prende a esta pessoa?
Para a(o) ter, tenho de ser quem não sou!
Agarro-me aos poucos momentos,.em que fui feliz!
Nego ou evito pensar, que a minha vida foi vivida para ela(e)!
Não tenho autoestima, pois quando a tenho ela(e), deita-me abaixo!
Não gosto, de que quem tenho de ser, porque quando sou eu própria(o), ela(e) critica-me!
São anos após anos, a ouvir que as(os) são melhores, mais inteligentes, mais apoiantes, mais cooperantes, mais elegantes, mais obedientes, mais presentes e mais previsíveis!
Na prática, são trinta anos a ouvir dizer mal de mim!
Na realidade, são trinta anos a provar que ela(e) está enganada(o)!
A cada crítica, eu faço tudo para provar que não é verdade!
São trinta anos, a provar que não sou pior que as(os) outras(os)!
Pergunto-me, porque aprendi a ser refém?
Pergunto-me, porque continuo onde não sirvo para nada!
Pergunto-me, porque espero há trinta anos que ela(e) mude?
Pergunto-me, porque não ouço quem quer mostrar-me a realidade de eu ser uma vítima de um(a) agressor(a)?
Sou a soma de anos a aprender a não ser, não sentir, não sofrer, não falar e não querer mais!
Estou presa a ela(e), pelos meus medos e inseguranças!
Estou presa a ela(e), por medo de ficar sozinha(o)!
Estou sozinha(o), porque ela(e) não permite que sejamos mais!
Ela(e) vive bem, a mostrar-me todos os dias que sou menos!
A mim até me parece confuso, eu querer mais!
Ela(e), ensinou-me a querer pouco e só com ela(e)!
Não penso que sou vítima, porque não quero olhar para trás e resumir a minha vida a nada!
Não penso que sou vítima, porque sinto-me estúpida(o) por aceitar anos após anos, faltas de respeito, indiferença, castigos, menosprezo e nenhuma construção!
Não penso que sou vítima, porque não consigo vê-la(o) como uma pessoa má!
Todas as pessoas, durante trinta anos disseram-me que ela(e) era um(a) agressor(a)!
E eu passei, trinta anos a desmentir a realidade!
Não sei porque, olho para mim ao espelho e não vejo sorrisos!
Não sei porque, olho para mim a envelhecer e não consigo, deixá-la(o)!
Não me vejo sozinha(o) e por isso prefiro viver esta mentira!
A verdade é que não vivi, apenas servi!
Na ânsia de provar, que sou melhor do que ela(e) dizem que sou, tornei-me útil!
E ela(e), só estão interessadas(os) na minha utilidade!
Quando quero mais, do que ser útil, sou afastada(o), posta(o) de castigo e ouço sempre que "precisamos estar um tempo separados"!
Na realidade, ela(e) só quer sacar-me a energia, a positiva, a minha alma e a minha vida!
Vou morrer, convencida que podia ser outra pessoa, se estivesse com outra pessoa!
Com esta pessoa, vou morrer criticada(o), explorada(o) e não amada(o)!
Amor na boca dela(e), apenas serve para promessas que nunca são cumpridas e para eu continuar aqui à espera!
Eu usei o meu amor, para perdoar tudo!
E agora que preciso de amor, nem que seja para amor próprio, estou sem energias!
A ironia, é que quando não tenho energia nem amor, é ela(e) que me voltam a recarregar com mais promessas e esperanças!
Vivo a prostituir-me por promessas de amor!
Vivo para ser refém, desta relação que já morreu, há muito!
Será que só serei livre, depois de eu morrer?!
