Pode parecer duro dizer assim, direto, mas às vezes é preciso parar de enfeitar aquilo que, no fundo, aprendemos errado!
Durante muito tempo, ensinaram-nos — de forma explícita ou subtil — que o amor verdadeiro dói, que implica sacrifício constante, que exige aguentar quase tudo!
Claro que eram ensinamentos, para as mulheres!
Vão lá dizer aos gajos, que amor dói e vão ver as respostas!
Educações machistas, embelezadas com passagens bíblicas, em que a mulher é uma costela de homem, ajuda a perpetuar o errado!
Muitas vezes, o problema começa na forma como idealizamos. Criamos versões das pessoas na nossa cabeça, projetamos aquilo que gostaríamos que elas fossem, e depois descobrimos a merda que são!
A felicidade está dependente, do tempo que demoramos a descobrir a merda que são!
Se demorar muito tempo, entretanto já amamos e elas(es) serem uma merda já faz parte!
"Ela(e) é assim e não muda!" - diz quem optou por aguentar pessoas de merda!
Ignoramos sinais, desculpamos comportamentos, inventamos justificações. E quanto mais investimos nessa ideia, mais difícil é aceitar a realidade. Então sofremos!
E, pior ainda, começamos a achar que esse sofrimento tem valor, que significa que estamos a amar “a sério”!
Não é o sofrimento que mede o amor, mas sim a reciprocidade!
O medo da solidão, pesa mais do que muita gente admite. Há quem fique em relações que fazem mal, só para não ficarem sozinhas(os)!
E isso cria um ciclo perigoso: quanto mais medo tens de ficar sozinha(o), mais toleras o que não devias. Vais baixando os teus limites, vais aceitando menos do que mereces, e vais chamando isso de amor. Mas não é amor — é medo disfarçado!
Depois passa a ser comum, achar que o nosso valor está naquilo que conseguimos aguentar ou perdoamos. Como se ser “boa pessoa” fosse sinónimo de suportar tudo, de dar sempre mais uma oportunidade, de compreender sempre, mesmo quando já não há respeito do outro lado.
Quem repete perdões, um dia não se vai perdoar, de ter passado a vida a perdoar!
“Se dói, é porque é intenso e se é intenso, é amor”. - Ouvimos estas afirmações estúpidas que justificam a dependência emocional!
Relações caóticas, instáveis, narcísicas, cheias de altos e baixos podem parecer apaixonantes, mas muitas vezes são só emocionalmente desgastantes.
"É dos cabrões que elas gostam mais!" ou "Gaja boa é a que inferniza a nossa vida mas compensa sendo puta!" - São justificação para tudo o que não devia acontecer!
E quem aprende a confundir isso com amor torna-se vulnerável. Vulnerável a relações onde há controlo, manipulação, instabilidade — coisas que, com o tempo, deixam traumas!
Depois de "amores intensos" que acabam com dor, coitadas(os) de quem vem a seguir, pois vai levar por tabela!
Há pessoas que se habituam tanto a sofrer que já nem questionam. Acham normal. Acham que amar é isso mesmo: sentir ansiedade, insegurança, medo de perder, necessidade constante de provar valor.
"Se me amas, tens de amar como eu sou!" - É dito pelo gajos, que sabem que elas têm medo de perder!
"Se me amas, devias mudar!" - É dito pelas gajas antes de serem trocadas, por gajas "mais submissas"!
E quando alguém aparece e trata bem, com calma, com respeito, até estranhamos. Parece “aborrecido”, "não mexe connosco" e "é muito pão sem sal"!
As pessoas habituaram-se a quem as trata mal!
Amor saudável não nos deixa constantemente em dúvida, não nos faz sentir pequenos, não nos obriga a andar sempre a provar que merecemos amor!
Nunca nos ensinaram a diferença entre amar e depender, entre cuidar e sacrificar em excesso e entre insistir e insistir demais.
Se aprendemos mal o amor, praticamos mal o amor!
E querem saber o pior?! Muitas vezes somos nós com os nossos padrões, crenças e feridas antigas, que criamos o sofrimento!
Não conseguimos descarregar em quem nos causou dor, sofrimento ou abandono, por isso agora quem está ao nosso lado tem de ouvir!
A tal bagagem que ninguém fala, quando a tesão ou carência faz-nos despir-se e quando queremos apenas conquistar o outro!
Temos de começar por definir limites — não como forma de afastar, mas como forma de nos protegermos. Porque quem gosta de ti de forma saudável não precisa que te anules!
Há muitas pessoas (cada vez mais e já destas novas gerações) que se aproveitam de quem acredita que sofrer faz parte do amor!
Porque quem aceita tudo, aceita demais e quem aceita demais, torna-se fácil de manipular.
E quem se deixa manipular, gera muitos benefícios!
Quem acredita que sofrer por amor é uma medalha, vai ganhar muitas mais medalhas nesta vida, em formato de dores ou nódoas negras!
É urgente não aprendermos a romantizar o sofrimento!
Se estás infeliz, passas os dias a chorar, queres urgentemente perdoar para "tudo voltar a ficar bem", se o teu único objectivo é não seres trocada(o), rejeitada(o) ou abandonada(o), então tenho uma novidade para ti! Não estás a amar, mas sim em modo de sobrevivência emocional!
Amar, de forma saudável, é outra coisa. É poder respirar dentro da relação. É sentir que estás acompanhada(o), não em dívida. É saber que não precisas de sofrer para provar nada. É crescer com o outro e não fazer tudo pelo outro!
E sim, isto aprende-se! Se não tens ninguém que te ensine, procura a psicologia, pois ela existe para empoderar, ensinar, actualizar e mudar!
Não é automático. Muitas vezes implica desaprender primeiro — largar ideias antigas, questionar aquilo que sempre achaste normal, rever padrões. Dá trabalho. Mas vale a pena!
Porque no fim, a diferença é enorme: deixas de procurar amor em lugares onde só há desgaste, e começas a reconhecer aquilo que realmente faz-te bem!
E quando isso acontece, uma coisa muda completamente: deixas de confundir sofrimento com amor!
E finalmente percebes — não porque alguém te disse, mas porque passas a sentir — que amar não é doer. É cuidar. É respeitar. É estar em paz, mesmo quando há dias difíceis!
E isso, sim, é amor a sério e não essas dependências dementes que infectam as relações!
