Mania de ser mãe, de toda a gente!
A mulher tem mesmo essa estranha “mania” de ser mãe de toda a gente! Não chega parir — isso seria quase básico demais! É preciso também ser mãe, de quem nunca saiu do seu ventre, de adultos querem uma "mãezinha", de quem não quer crescer e a cereja no topo do bolo, de quem a quer foder ou a fode! A mulher dá à luz e passa a vida a aturar quem convive bem com a escuridão! Há nisto tudo, qualquer coisa de quase cómico, se não fosse tão cansativo. É como se existisse um contrato invisível que diz: “nasces mulher, parabéns, acabaste de ser promovida a mãe universal, sem direito a recusar”! E o mais curioso é que isto nem sempre vem de fora. Muitas vezes vem de dentro, dessa aprendizagem silenciosa de que cuidar é sinónimo de amar, de que dar é sinónimo de ser santa, de que aguentar é sinónimo de ser forte! Então lá vai ela, a mulher, com essa capa invisível, a tentar ser tudo para todos! Mãe de quem dá à luz, mãe de quem se perdeu da luz, mãe de quem lhe complica a vida e mãe de quem nem sequer sabe, pedir para ser cuidada! Uma espécie de serviço permanente, emocional e logístico, aberto 24 horas por dia, sem pausas e, claro, sem cobrar por isso! Depois há aquela parte no dizer do povo, em que se diz que ela tem de aprender a exigir respeito, igualdade e reciprocidade. Mas alguém lembrou-se de avisar o resto do mundo disso? Porque enquanto ela anda a tentar aprender a dizer “não” sem pedir desculpa três vezes, há toda uma plateia habituada ao “sim” automático. Uma multidão de mamões, que sugam sins atrás de sins! Além de quererem chupar-lhe nos mamilos, querem também chupar-lhe a toda a energia! Pena que entre tanto chupar, não a chupem a fazer sexo oral, pois esse chupar aos menos dá prazer! E assim a mulher passa a vida a dar e a chorar que não recebe! E mudar isso não é bonito nem fácil! Mudar faz barulho, cria desconforto e faz levantar as sobrancelhas de quem aprendeu apenas a receber e de repente é-lhe exigido que dê! De repente, a mulher que sempre deu tudo começa a pedir alguma coisa em troca e — que escândalo — já não é vista da mesma forma! Afinal, a mãe de todos não devia ter necessidades próprias, certo? Afinal, quem diz dar sem querer nada em troca, não pode começar a pedir, certo? Entretanto, não faltam por aí uma cambada de "istas" (egoístas, egocêntristas, narcisistas e filhos da putistas) que usam e abusam desta capacidade infinita de dar! É quase um talento coletivo dos machistas e dos dependentes emocionais, de identificar rapidamente quem resolve, quem acalma, quem segura tudo e orgulho-se disso! No meio de tanto vítima de tanta coisa, as mulheres são as que mais aturam! Porque foi assim que aprendeu. Porque alguém tem de segurar. Porque, no meio disto tudo, também há amor, há vontade genuína de cuidar, há essa coisa bonita de querer bem aos outros! Foi assim que aprendeu com as mães também elas vítimas, com as mães machistas, com as mães "se eu sofri tu também tens de sofrer", com as mães "o que vão pensar de ti se fores diferente?" e com as mães beatas que não podem ofender Deus ao terem filhas que desobedecem! E então o dar, deixa de ser escolha e passa a ser obrigação! E depois vem aquela frase que soa quase épica: ser mãe faz de ti uma pessoa maior! Faz, sem dúvida. Maior na capacidade de amar, maior na resistência, maior na habilidade quase sobrenatural de funcionar com pouco descanso, muita preocupação e de pôr-se em último lugar! Fica maior para todos os lados, menos para dentro! E só para dentro, é que aprende a pensar-se como a pessoa mais importante da sua vida! Há também essa ideia bonita de que a mãe pode usar o “nós” com verdadeiro sentido. E pode mesmo. Só que, às vezes, esse “nós” engole o “eu” sem pedir licença! E assim a mulher, passa a vida a engolir o que não lhe faz bem! E quando isso acontece, a mulher deixa de saber muito bem onde acaba o outro e onde começa ela. É tudo junto, tudo misturado, tudo dependente dessa capacidade inesgotável de estar presente. Até ao dia em que o cansaço começa a falar mais alto, mas mesmo assim ela continua, porque parar nunca fez parte do plano. E no meio disto tudo, há aquelas mulheres que transformam lágrimas em vontade férrea. Que bonito isso soa. Soa bonito a quem usa, cobra, mama e abusa! Sejam elas mães biológicas, adotivas, ou apenas essas mães invisíveis que cuidam de tudo e de todos, há nelas uma grandeza! Por isso todos querem uma parte dessa grandeza, sem darem nada em troca! No fim, diz-se que sem mães a humanidade só produziria egoísmo até desaparecer! Talvez o problema nunca tenha sido a capacidade da mulher de ser mãe de todos. Talvez o problema seja o quanto essa capacidade foi assumida como garantida. Porque uma coisa é escolher cuidar, outra, bem diferente, é sentir que se tem de cuidar de tudo, de todos, o tempo inteiro. Já é difícil cuidar de quem pariram! Por isso, o meu conselho é deixarem de ser mãe dos vossos pais e mães, dos vossos companheiras(os), dos vossos animais e dos animais quem vos usam e abusam!
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