Queria finalmente fazer o que fantasiara tantas vezes, sem o peso dos julgamentos alheios a travar-lhe os passos.
Sem ter que pedir a aprovação de ninguém.
Sem sentir vergonha!
Pensei nele! Tanto me irrita, como me excita.
Sorriu para si mesma. Afinal a tesão, pode muito bem ser o antídoto, para a irritação.
Nunca se tinham visto.
Os cheiros ainda eram vazios, os sabores curiosos, os sons ainda eram ausentes.
Tudo estava por acontecer — e isso, por si só, já a molhava.
Pensava-se seca a maioria dos dias, da sua vida!
E de repente, humedecia a pensar nele!
Decidiram encontrar-se!
Quando ele apareceu, ela olhou para baixo, envergonhada de si mesma.
Ele abraçou-a, com uma ternura que não era esperada — e foi esse abraço que a desarmou por completo.
Os cheiros chegaram de repente, como se tivessem estado à espera. As inseguranças dissolveram-se no primeiro beijo, aquele que ambos tinham adiado, demasiado tempo.
Sentiu o corpo dele, pela primeira vez. Deixou-se moldar sem resistência — não por rendição, mas por vontade própria, inteira e com desejo!
Estava cheia de tesão e não tinha vergonha nenhuma disso.
A boca dele encontrou o seu pescoço e ela percebeu, que ia perder o controlo.
Sentiu os beijos descerem devagar — as mamas, os bicos — e estranhou a própria dureza deles, como se o corpo já estivesse a viver, o que a cabeça ainda estava a processar.
Não havia barreiras, nem hesitações.
O desejo era a única lei em vigor.
A certa altura, perdeu a noção de onde ele estava.
Riu, ao pensar que tinha perdido um homem, no seu corpo!
O corpo estava a ser todo beijado, a mente já noutra dimensão, a do prazer!
Teve de concentrar-se para o encontrar — e descobriu-o pousado perto do clítoris, imóvel, como se pedisse passagem, em silêncio.
Abriu as pernas lentamente e ele lambuzou-se!
Sentiu a respiração dele mais funda!
Percebeu que ele não estava a hesitar — estava a memoriza-la!
Os cheiros, as formas, os sinais, os caminhos e a geografia íntima dela. Como quem tencionasse voltar, mais vezes!
Depois a língua dele mergulhou nela, em profundidade, no seu molhado.
E ela deixou-se ir de bom grado.
E vir, muitas e muitas vezes!
Sentiu vontade urgente de o saborear também. Quis!Desejou! E teve-o!
Como ele estava duro!
Na sua boca sentia a pulsação dele, no seu membro granítico!
Sabem aquelas pessoas que dizem "parece que já o(a) conhecia, há mais tempo!"
Pois ela sentia, que em fantasias, já tinha tido o pénis dele na boca dela!
As bocas dos dois, estavam satisfeitas e decidiram deixar as outras partes do corpo, terem prazer!
A penetração foi lenta. Muito lenta. Como se nenhum dos dois quisesse chegar ao fim.
Ela sentiu a grossura a conquistá-la, centímetro a centímetro — e o seu corpo respondeu com um tremor que não conseguiu esconder, nem quis.
O peso dele em cima dela, excitava-a de uma forma que não sabia explicar.
Os movimentos ondulantes do corpo dele, libertavam nela orgasmos que não contou — mas eram plural!
Eram diferentes uns dos outros, uns curtos outros longos, uns eléctricos outros faziam faísca, eram a tradução física de tudo o que os dois tinham desejado, sem ainda se conhecerem.
Procurou os olhos dele. E foi aí, nesse olhar directo, que mais um orgasmo a apanhou de surpresa — surgiu do nada, transgrediu as regras, veio lá mesmo do fundo, bateu de frente com o momento.
Foi um choque, sem haver acidente!
Sentiu-o a vir-se e a enchê-la!
O corpo dele tremeu e tombou em cima dela.
Ela sentiu-se cheia até às bordas — de calor, de pulsação de esperma!
E instintivamente apertou as pernas, repuxou a vagina, como se quisesse reter aquele momento um pouco mais.
Não queria desperdicar, nem uma gota!
O relaxamento chegou depois, como uma recompensa.
Os beijos voltaram aos lugares do início.
Os cheiros, já não eram dele ou dela — eram de ambos, misturados, sem fronteira a separá-los!
O corpo dela, rendera-se.
O dele estava cativo dela, mas de livre vontade.
Tudo o que tinham fantasiado durante tanto tempo, finalmente aconteceu!
Os desejos desejamos, naquele momento, já eram passado!
E daqui a nada, seriam belas recordações!
