Há uma geração que aprendeu, a celebrar antes de construir!
Que confunde visibilidade com mérito e exposição nas redes sociais, com realização pessoal!
Vivem a idealizar serem ricos, mas vivem com o dinheiro dos pais e avós!
Cresceram a acreditar que o simples facto de existir já é, por si só, um feito digno de aplauso!
Vivem para os aplausos e likes!
Sem eles, deprimem e revoltam-se!
Mas esta história não começa nos filhos, começa nos pais!
Os pais são de uma geração, que foi criada com disciplina rígida, por vezes excessiva, por vezes injusta, que decidiu na hora de educar, ir no sentido oposto!
Em vez de procurarem um equilíbrio, abraçaram a parentalidade gelatina!
Muitas regras, mas todas elas tremem, perante a chantagem emocional dos filhos!
Os filhos não se sentem filhos, mas sim credores de tudo o que acham que deviam ter!
Vemos pais que não dormem, por não conseguirem dar aos filhos o telemóvel mais recente!
Vemos mães que pedem desculpa, aos filhos tenham dez anos ou 20 anos, por lhe terem dito "não"!
Vemos pais que gastam o que não têm, para que os seus pequenos reis e rainhas não sintam, nem por um momento, que o mundo lhes pode negar alguma coisa.
São pais reféns dos filhos!
Os sequestradores sabem fazer caras fofinhas de pedintes e aprendem no YouTube a assombrosa habilidade para comparar.
"O pai do Tomás comprou-lhe um PlayStation!", "A mãe da Inês deixa-a sair até à meia noite!" ou "Todos os meus amigos têm isso!"!
A comparação é a arma mais eficaz dos pequenos ditadores domésticos.
E os pais, enfraquecidos pela culpa de não serem suficientes, capitulam, pagam o resgate!
A realidade hoje mostra que os filhos adultos, não saem de casa, porque quem está a mais são os pais!
São herdeiros, com pais vivos!
Entretanto, lá fora, o mundo real não perdoa!
O mercado de trabalho não aplaude a falsa autoestima! O chefe não vai adaptar o tom de voz, para não ferir sensibilidades!
O senhorio não aceita como explicação de não haver dinheiro para a renda, o facto de o inquilino "não estar emocionalmente disponível para trabalhar este mês"!
A vida cobra, com juros, tudo o que a educação gelatinosa prometeu que nunca seria cobrado!
E é aqui que o sentimento de sucesso dos zero à esquerda, se torna verdadeiramente assustador!
Porque há jovens — cada vez mais — que genuinamente acreditam que têm sucesso, sem nada terem feito!
Que são especiais, porque conseguem cortar as unhas dos pés, usar o ChatGPT e vomitar discursos positivos que ouvem nas redes sociais!
Para os filhos, os pais são uns ignorantes que estão desactualizados!
Acreditam que o mundo lhes deve uma oportunidade dourada, um alto salário logo à entrada, reconhecimento imediato, e a liberdade de escolher fazer apenas, o que lhes apetece!
Querem tudo tal e qual, vêem no Tiktok!
E quando a realidade não confirma esta narrativa, a culpa é sempre exterior!
Do sistema, da sociedade, dos outros que "tiveram mais sorte"!
A culpa nunca é sua e ai de quem lhes aponte culpas!
As redes sociais alimentam esta ilusão, com uma eficiência desconcertante.
Aliás, elas são arquitectadas para isso!
Para viciar uma geração e imbecilizá-los para terem consumidores fiéis e hipnotizados!
As redes sociais mostram o sucesso dos outros, sem mostrar o esforço!
As redes sociais promovem esquemas de enriquecimento rápido, onde um jovem sem qualificações faz uma fortuna, ensinando outros jovens sem qualificações a fazerem fortunas!
É o conhecido esquema de pirâmide, onde muitos imbecis enriquecem um(a) chico(a) esperta)!
E têm sucesso, pois esta geração aprendeu a scrollar e não aprendeu a fazer as contas!
Na realidade, são uma geração imbecil, com o poder do ChatGPT na mão!
São estes jovens que vão, amanhã, sentar-se nas cadeiras das empresas, dos hospitais, das escolas, dos tribunais!
E se chegarem até lá, com a convicção de que os deveres são opcionais e os direitos são ilimitados, o problema deixa de ser privado e torna-se civilizacional!
A culpa não é só dos filhos! Um filho não se torna pequeno ditador, por acaso! Torna-se ditador, porque alguém permitiu que ele o fosse!
Porque alguém confundiu amor, com ausência de limites!
Porque alguém, teve tanto medo de reproduzir os erros dos seus próprios pais, que caiu no erro de fazer o oposto!
Amar um filho não é protegê-lo de todas as frustrações!
É precisamente o contrário! É deixá-lo perder, por vezes! Deixá-lo sentir que o esforço importa, que o "não" existe e não mata, que comparar-se aos outros é o caminho mais curto para uma vida de frustração!
Que os deveres não são um castigo e os direitos não são uma opção!
O verdadeiro sucesso, esse que não precisa de aplausos nem de likes para existir, constrói-se em silêncio, com trabalho, com falhanços, com recomeços. O sucesso não tem zeros à esquerda, tem raízes, que mais tarde sustentarão vidas fortes e bem construídas!
Enquanto a sociedade não disser em voz alta, às crianças, aos jovens, mas sobretudo aos pais, que ceder o seu papel de autoridade por medo de não serem amados é errado, continuaremos a assistir ao espectáculo triste de gerações que celebram o vazio, adoecem mentalmente, confundem sucesso com ter coisas e esperam que o mundo se curve perante quem nunca se curva, perante nada!
Os zeros à esquerda só têm valor, quando há um número real à direita.
Sem um número à direita, são apenas isso: zeros que nada valem.
